Recurso autocompletar do Google insinua que ainda há muito preconceito a ser combatido

Recurso que sugere termos mais procurados pode apontar popularidade de buscas com conteúdo discriminatório em relação à mulheres, negros e homossexuais

Publicada: 18/10/2013

O recurso autocompletar do Google é uma ferramenta incrível e que não deveria ser desprezada quando fizermos uma análise comportamental da sociedade. Isso porque ela é automatizada para sugerir o restante do que estamos querendo pesquisar, seja um termo com algumas palavras ou uma frase, levando em conta as terminações mais populares usadas por outros usuários que começaram digitando a mesma coisa que nós.

Exemplo: Se a maioria das pessoas que digitou “X” terminou escrevendo “Y”, e se a segunda maioria terminou escrevendo “Z”; quando você digitar “X”,o Google “intui” que você também pode estar querendo procurar por “X+Y” ou “X+Z”.

Às vezes a sugestão autocompletar dá certo, às vezes não. Mas, independentemente de seus acertos, ela coloca em exposição um reflexo social comportamental significativo, já que pode revelar nossos "anjos e demônios" no ambiente digital. E pra quem diz que todo mundo é meio valentão na internet, pode ser que no fundo, no fundo, aquilo lá, o tal “valentão” é que seja a nossa verdadeira essência quando não reprimida pelas normas de conduta que o ambiente externo exige. O autocompletar pode ser o espelho a nos mostrar que não somos assim tão bonitos, legais e admiráveis quanto julgamos ser.

Um exemplo disso são os anúncios criados por Christopher Hunt , da Ogilvy & Mather, de Dubai, em parceria com a ONU Mulheres (imagens nesse texto). Nesses anúncios foram utilizados inícios de frases contendo a palavra “mulher” e exibidas as sugestões do recurso autocompletar do Google para elas. As frases iniciadas por “as mulheres precisam", "as mulheres devem" e "as mulheres não devem" recebiam sugestões discriminatórias como “devem ficar em casa”, “devem ser escravas”, “não deveriam ter direitos”, “não deveriam votar”, “não devem dirigir” e “precisam ser colocadas no seu devido lugar”, que a julgar pelos impropérios das demais sugestões populares, não deve ser um lugar tão legal assim.

A campanha coloca o autocomplete, que as silencia com suas discriminações, nas bocas das mulheres retratadas nas imagens. Abaixo, aparece uma frase que torna nítido o objetivo da campanha: “As mulheres devem ter o direito de tomar suas próprias decisões", “As mulheres não devem mais sofrer discriminação”, “As mulheres não podem aceitar as coisas do jeito que são hoje” e “As mulheres precisam ser vistas como iguais”.

Mas vale frisar que a discriminação contra a mulher não é uma exclusividade. De acordo com um estudo da Universidade Lancaster, divulgado em Maio deste ano no Daily Mail, os termos usados pelos internautas nas buscas do Google são vistos na maioria das vezes não apenas como sexistas, mas também como racistas e homofóbicos, uma vez que também sugerem frases ofensivas no autocomplete para as buscas contendo os temos “gay” e “negro”.

Num contexto social onde o preconceito ainda reina, o autocompletar pode ser uma régua a medir nossas misérias humanas e tudo aquilo que devemos trabalhar e melhorar no ambiente on e, acima de tudo, offline.

Com informações do Adnews.

Tags: auto completar autocompletar autocomplete discriminação google preconceito


Audrey Bertho

Jornalista, apaixonada por todas as expressões da arte (com uma quedinha para a música) e antenada com o mundo tecnológico. Adora R.E.M, ipês amarelos, happy hours estendidos e ainda tem esperança no ser humano e em um mundo melhor.